No que você pensa, quando pensa em amor?

No começo, a intenção era combater o crime, particularmente crime do colarinho branco. Bem, houve sucesso, mas parece que ninguém ponderou os possíveis efeitos colaterais de um aparelho como aquele na sociedade. Quando a máquina foi inicialmente introduzida, era para ser o detector de mentiras definitivo – ou o primeiro de verdade, já que os testes com polígrafo já tinham sido desacreditados tempos atrás. A ideia era pegar os malfeitores antes que eles pudessem executar seus malfeitos. Não demorou muito para os políticos temerem a máquina, e para a sociedade exigir que todas as pessoas em cargos eletivos passassem pelo seu escrutínio. A corrupção acabou, e logo depois tornou-se difícil praticar quase qualquer tipo de crime por conta do maravilhoso mecanismo. Antes caro e imprático para o usuário comum, logo tornou-se amplamente disponível, assim que a tecnologia permitiu a produção barata e a portabilidade. Continuar lendo

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Cinzas Vadias

Márcia não gostou quando chegaram lá. Ela estava ranzinza e sonolenta, e chovia tão forte que não era possível enxergar muita coisa adiante. Se o sol estivesse brilhando naquele momento, ela teria visto a casa de um jeito diferente. Paredes amarelas e telhado vermelho vivo no cento de um grande terreno de grama verde, completo com um carvalho de 25 metros à direita. Continuar lendo

A Waltz out of a Blues

Aconteceu de novo. Apaguei. Não lembro de nada do que aconteceu na noite passada. Na verdade, nem da maior parte de ontem. Eu lembro de ter ido a um bar duas noites atrás. Já tinha bebido um pouco quando cheguei. Meus amigos me pediram para parar, encheram minha paciência ao ponto de eu não querer mais estar com eles. Não, espera, isso foi antes. Sim, é isso, eu estive em dois bares naquela noite. Eu deixei meus amigos quando cansei da aporrinhação, depois da quarta ou quinta caneca. Saí e fui para outro bar, continuar bebendo em paz. Continuar lendo

Ela apareceu num domingo

Entre todas as perguntas que foram feitas no dia em que ela apareceu, entre todos os quem, quando e por que, uma, incrivelmente, ninguém fez: como. Como se instala algo tão grande à beira de uma pequena cidade, da noite para o dia, sem que ninguém perceba? Pois ela apareceu, sem aviso, sem barulho, sem explicação. Era domingo, dia de missa, e por isso praticamente toda a população tomou conhecimento da novidade quase ao mesmo tempo. Continuar lendo