Concerto para Piano N. 2

Frank acordou com a mistura familiar de emoções que ele experimentou nos últimos anos. Seus pés estavam frios porque seu cobertor não era longo o suficiente para cobrir todo o seu corpo e ele tinha o hábito de puxá-lo até o queixo enquanto dormia. Seu pescoço doía por conta do ângulo estranho em que sua cabeça ficava, acostumado que era a dormir de lado. Seu cabelo coçava pela falta de higiene e seu nariz ardia com o fedor do seu amigo Bob. Além disso, os estampidos altos do caminhão de lixo sempre o assustavam, acordando-o com o coração disparado. Continuar lendo

A Semente

“Explica aquilo de novo.”

“Explica o quê?”

“Aquilo sobre escolhas e liberdade.”

“Tem certeza? Você disse que a sua cabeça ficou rodando na última vez. Além disso, não quero passar vergonha na frente dos seus amigos. Ou de você.”

“Você não quer passar vergonha na minha frente, ou me fazer passar vergonha na frente dos meus amigos junto com você?”

“Não vou cair nos seus joguinhos, Jason.”

“Ah, qual é, por favor!”

“É, por favor! Agora nós queremos saber também.”

“Viu? Agora estão todos esperando algo muito profundo que não sei se consigo passar.”

“E qual é a única forma de saber?”

“Espertinho.” Continuar lendo

Eles Vieram

Sabe quando algo que você acabou de desistir de procurar simplesmente aparece? Então, aconteceu novamente, em escala mundial. Fotos e vídeos de coisas incríveis e misteriosas eram bastante comuns antigamente. Era preciso ter bastante sorte para avistar o Pé Grande andando por aí, e ainda mais sorte para ter a sua câmera à mão quando isso acontecesse, permanecer calmo e bater a foto. O mesmo vale para o Monstro do Lago Ness, o Yeti, lobisomens, vampiros e afins. E, como manda a sorte, era relativamente fácil encontrar “prova material” de todos esses seres. Mas eles são todos criaturas mitológicas, de certa forma. O que dizer de algo que podemos ter certeza que existe em algum lugar? Como alienígenas. É, com bilhões de estrelas só na nossa galáxia, e bilhões de planetas gravitando essas estrelas, há de existir ao menos um outro com vida. Continuar lendo

O Homem do Trem

Eu estava lá, bem perto, do lado de fora, vendo tudo. Eu esperava pelo meu amigo, o que eu tinha esperanças de um dia tornar-se algo mais. Eu vi o homem tirar o revólver das costas, começar a atirar, logo que o trem parou. Eu ouvi os seis tiros, seis estampidos ritmados e altos mesmo que abafados pelas portas do carro ainda fechadas. Eu vi as pessoas dentro em desespero, impotentes, caindo no chão uma a uma, algumas por medo, seis delas mortas. Meu amigo. Continuar lendo