Esconde-esconde

Eu me lembro da primeira vez em que fui ao circo. Só cinco ou seis anos, rodeado por todos os sons e cores e músicas daquele lugar mágico que conseguiu a magnífica impossibilidade que é ser mais surreal que a imaginação de uma criança. Eu não estava muito a fim no começo. Era provavelmente um domingo, e eu queria ficar em casa e tomar sorvete. Nós já tínhamos ido ao parte no dia anterior e a uma festa naquela mesma semana, todas aquelas atividades sociais estavam interferindo com meu hábitos restritos de desenhos animados. Meus pais passaram uma boa hora me convencendo. Tentaram de tudo, explicaram em detalhes como haveriam trapezistas, palhaços, mágicos, um elefante fazendo truques como um cachorro. Eles apelaram para comparar tudo com o colorido e os barulhos dos desenhos animados que eu assistia. Nada funcionou. Nem mesmo prometer o sorvete mais delicioso que eu jamais tomaria. O que estava no congelador era bom o suficiente. Finalmente, eles se lembraram quem, afinal, eles eram os pais e eu a criança, e simplesmente me fizeram ir. Eu fui carregado aos berros para o chuveiro, lutei contra me vestir, tornei tão difícil quanto possível me colocar no carro. Ao menos é assim que me lembro, talvez não tenha sido uma criança tão problemática assim. Mas eu me lembro bem da transformação acontecendo dentro do carro conforme dirigíamos pela cidade em direção de onde as casas ficavam mais raras, até que estávamos em uma estrada escura. Eu fui de entediado a assustado bem rápido. Então comecei a ouvir, o som, a música, as vozes ecoando à distância, toda aquela animação. As luzes começaram a aparecer à minha esquerda, brilhantes como se houvesse uma outra cidade no meio do mato. O carro virou em uma estrada secundária e momentos depois aquele mundo novo apareceu na minha frente. Na minha cabeça de criança, tínhamos sido transportados para uma outra dimensão, onde meus sonhos mais loucos não se comparavam com a realidade à minha frente.

O estacionamento em frente ao circo estava lotado. Circulamos por alguns minutos antes de achar uma vaga – ou antes do meu pai desistir e estacionar em qualquer lugar. Havia uma fila imensa para a bilheteria, e outra na entrada, mas nós contornamos as duas. Fomos para uma das laterais, onde meus pais falaram com um homem grande vestido com roupa colante. Eu estava tão perplexo com todas as cores e movimentos que não prestei atenção à conversa. Só vi o homem olhando para dentro e gritando algo, então nos deixando entrar. Nos misturamos com os outros visitantes indo em direção à tenda principal, e se eu já estava impressionado com tudo antes, devo ter entrado em choque então. Todas aquelas tendas secundárias, todas as barquinhas de comida, basicamente o menu perfeito para um garotinho: pipoca – tanto a normal quanto a colorida, algodão-doce, amendoim, cachorro-quente, maçã doce, bolinhos, limonada e, claro, sorvete. O melhor que eu tomaria na minha vida. Eu estava atraído por tudo aquilo, mas o puxão dos meus pais foi mais forte. O show já ia começar, poderíamos voltar mais tarde para tudo aquilo. Foi essa a promessa.

A tenda principal era maior do que qualquer outro lugar onde já tinha entrado. Outro mundo dentro daquele já mágico lugar. As faixas vermelhas e brancas nas paredes convergiam em dois pontos no meio, que eu aprenderia mais tarde chamavam-se mastros principais. Encontramos um lugar perto do picadeiro como se estivesse lá esperando por nós, três cadeiras vazias com uma visão excelente para o que estava para começar. A música estava alta, todas as crianças estavam gritando, havia luz por todo lado. Um pacote de pipoca apareceu no meu colo, meu olhos ainda tentando captar tudo aquilo. Então, as luzes se apagaram, a música parou, as crianças se silenciaram. Podíamos ouvir os passos macios indo em direção ao meio, e um único feixe de luz revelou um homem vestido num fraque vermelho brilhante sobre um colete dourado, calças azuis e cartola preta. Ele abriu os braços e girou em torno de si mesmo pronunciando as palavras que então ouvia pela primeira vez: “Senhoras e senhores, meninos e meninas, crianças de todas as idades: bem-vindos ao maior espetáculo da Terra!” Daí em diante, meus olhos ficaram grudados no picadeiro, assistindo um número infinito de palhaços sair de um carro minúsculo, uma matilha de cães fazendo truques, cinco pessoas voando pelo ar e caindo nos braços umas das outras, leões e elefantes, o homem grande com quem meus pais falaram levantando pesos inacreditáveis. As performances duraram pelo menos duas horas, durante as quais eu mal respirei.

O espetáculo acabou mas, ao invés de explorar as atrações externas como meus pais prometeram, fomos na direção contrária da multidão que saía, passando pela mesma entrada que o mestre de cerimônias usou para ir para os bastidores. Eu tinha certeza, na época, que estávamos indo num local proibido. Mas a expressão e o sorriso no rosto do mestre de cerimônias me disseram o contrário. Fomos levados para dentro de um corredor estreito saindo numa série de trailers, um lugar bem menos colorido e barulhento que a entrada do circo. A maioria dos artistas estava ali, mudando de roupa e tirando a maquiagem, sem falar das minhas ilusões. Minha mãe abriu um grande sorriso quando viu o homem que, no palco, atirava facas nas pessoas sem nunca acertá-las. Ele, também, sorriu grande quando a viu, e abriu seus braços. Eles se abraçaram longamente, e minha mãe até deixou cair uma lágrima. Depois ele e meu pai também se cumprimentaram, minha mãe virou-se para mim e disse, “Luke, este é seu tio Ben”. Ele se abaixou e me fez carinho na cabeça, e eu pude ver as pequenas facas presas no seu braço e também as primeiras tatuagens que eu via de perto.

Meu tio Ben, minha mãe contou, entrou para o circo muito antes de eu nascer, e viajou o mundo fazendo sua arte. Ele era um raro tipo de artista circense que não era ligado a nenhum circo em particular e podia escolher onde se apresentar. Quando ele soube que o Circo Foverós estava vindo para a nossa cidade, ele arranjou para estar ali e rever sua irmã. Tio Ben prometeu me contar tudo sobre como ele começou, viajando com o circo enquanto trabalhava como cuidador de animais, e eu estava bastante interessado, mas a conversa que eles estavam tendo sobre seus pais e as respectivas famílias e tudo que tinham que se atualizar nesses dez anos separados estava tomando tempo demais, então eu fiquei entediado. E como todo menino entediado faria, olhei em volta em busca de distração. Para minha sorte, estava num lugar abundante de novas e interessantes distrações.

Não levou mais que alguns passos para encontrar a primeira. Ou melhor, para ser encontrado. Estava olhando para cima e andando, como crianças fazem, quando a voz veio de um dos lados.

“Está perdido, menino?” Era uma voz suave e aconchegante, do tipo que faz você querer se aninhar e tirar uma soneca, ou simplesmente abraçar para sempre. Virei-me para ver que a dona da voz era uma bela mulher de pele escura e olhos cor de amêndoa, vestindo um turbante. E de barba. Uma barba grossa, preta, estendendo-se dez centímetros abaixo do seu queixo. Ela estava cuidadosamente aplicando um tipo de creme na barba quando repetiu a pergunta.

“Estou com meus pais, eles estão ali”, eu respondi e apontei.

“Ah, então você é o sobrinho do Benjamin? É a primeira vez que vem ao circo?” Eu fiz que sim com a cabeça, incapaz de tirar os olhos do pelo facial no rosto daquela bela mulher. “É de verdade, quer ver?” Ela pegou minha mão e colocou na barba. “Agora puxe, gentilmente.” Não só era real, mas muito macia. Puxei mais uma vez, incapaz de conter meu grande sorriso.

“Como é que você tem barba sendo uma mulher?” Eu pude ouvir minha mãe me repreendendo, dizendo que não era algo gentil de se falar, e ela viu nos meus olhos que eu estava prestes a pedir desculpas. Ela sorriu, provavelmente acostumada com a pergunta.

“É uma mistura de coisas. Eu tenho um problema nos ovários que faz com que meus pelos cresçam mais que o normal. E a minha religião proíbe que eu corte qualquer pelo no meu corpo.”

“Então você nunca corta o cabelo?”

“Nunca”, ela continuava sorrindo enquanto penteava a barba. Eu olhei para o seu turbante, imaginando quão longo o cabelo dela poderia ser. Ela me deu a resposta. “Infelizmente não posso te mostrar, mas o meu cabelo vai até quase meus joelhos.”

“E o quê você faz no circo?” Não me lembrava de tê-la visto durante o espetáculo, e eu tinha certeza de que não tinha perdido nenhum momento.

“Na verdade, eu só fico do lado de fora da tenda principal e deixo as pessoas me verem. É engraçado ler as suas reações, e ainda mais engraçado quando eu deixo alguém puxar a minha barba como você fez agora mesmo.”

“Deve ser chato, só ficar parada ali o tempo todo.”

“Ah, não é o tempo todo. Além disso, não é isso que eu faço de dia. Eu na verdade sou desenvolvedora de TI.” Ela podia ver a minha confusão com aquelas últimas palavras. “Eu trabalho com computadores, escrevendo programas. Mas eu ofereço meus serviços para todos os circos que vêm à cidade. É uma boa mudança na minha rotina, e além disso o dinheiro extra é sempre bom. Mas a melhor parte é assistir o espetáculo de graça”, ela piscou.

Eu olhei para os meus pais, checando se a conversa já tinha acabado. “Por que você não está com seus pais e seu tio?”, ela perguntou.

“Eles estão falando de coisas de adulto, e eu fiquei entediado”, admiti.

“Entediado num circo? Isso não é bom”, ela riu. Um clarão e um som sibilante fez com que nós dois virássemos a cabeça. “Ei, você vai adorar isso. Vai até ali dar uma olhada. Mas não vá muito longe, OK? Você não quer deixar seus pais preocupados.” Ela nem precisava falar, ao menos a primeira parte. Eu já estava a caminho.

O clarão e o som aconteceram mais uma vez antes de eu virar a pequena esquina em volta de um dos trailers para ver de onde vinha. Havia um casal, ainda vestindo suas fantasias de show, um colante preto brilhante com chamas nos punhos e nos tornozelos. Apropriado, já que eles estavam cuspindo fogo. Ele ainda estava todo vestido, ela tinha baixado a parte de cima até a cintura, revelando uma blusa branca e uma grande cicatriz de queimadura no braço esquerdo.

“Você está tentando cuspir muito de uma só vez”, disse o homem. “Pequenas explosões, e mais movimento com os braços, assim”, e ele bebeu um líquido amarelado de uma pequena garrafa, fez um grande movimento circular com os braços aproximando as tochas da boca, e uma grande bola de fogo apareceu no ar. “Você precisa controlar o tamanho e a altura do fogo, ou arriscamos queimar a tenda”, ele disse logo depois. Eu não conseguia imaginar alguém capaz de cuspir fogo tão alto.

Era a sua vez de tentar. Logo depois de beber da mesma garrafa, ele disse, “Viu, muito.” Ela cuspiu de volta para a garrafa e recomeçou. Na segunda vez, enquanto a garrafa estava para cima, ela me viu. Desta vez, o líquido foi parar no chão.

“O que você está fazendo aqui?”, ela disse, assustada. Eu estava para explicar sobre os meus pais e o meu tio quando o homem disse, “Eu o vi antes do show, é parente do cara das facas ou algo assim.” Eu fiz que sim com a cabeça.

“Bem, menino, você não pode ficar aqui. Já é perigoso demais para nós, sabe?”

Meus olhos devem ter dito o que eu estava sentindo. Antes que pudesse me virar, a mulher se aproximou, ajoelhou e disse: “E se a gente fizer só uma ou duas vezes pra você?” Novamente, meus olhos, e provavelmente meu sorriso, responderam por mim.

“Stella, não sei se-“

“Ah, Joseph, só uma vez. Vamos fazer de qualquer forma.” Ele deu de ombros e bebeu o líquido amarelo depois dela. Eles andaram em volta, ambos com tochas nas mãos, como fizeram no picadeiro, e com um gracioso movimento criaram uma bola de fogo, depois outra.

“Ao menos você fez certo desta vez”, disse o homem.

“Ela veio até mim novamente. “Não nos importamos de ter alguém assistindo, mas não podemos deixar um garotinho sozinho aqui. Desculpe.” Eu estava satisfeito. Ela beijou minha testa, o cheiro forte do combustível nos seus lábios me deixando um pouco tonto.

Eu estava voltando para onde meus pais estavam, para o trailer do meu tio, quando um barulho alto chamou minha atenção. Eu não conseguia distinguir no começo, e estava decidido a não perder meus pais de vista, mas saber a origem do som era atrativo demais para um garotinho resistir. Entre dois trailers, eu vi um homem discutindo furiosamente com alguém que não conseguia ver. Não seria muita distração se o homem que discutia não estivesse completamente vestido de palhaço. Calças gigantes amarelo e azul brilhantes, deixando um espaço em volta da cintura, segura por suspensórios cor-de-rosa em cima de uma camiseta vermelha com bolinhas e uma gravata borboleta enorme, sapatos gigantes de cores diferentes, rosto branco com sorriso vermelho e o narigão, peruca azul e chapéu. Eu não conseguia saber se ele estava só fingindo que estava bravo ou se a briga era de verdade. Eu me espremi entre os dois trailers e consegui a minha resposta. Três outros palhaços, alguns já sem metade da fantasia, todos com a mesma cara de bravo sob a maquiagem. Aparentemente um deles estava se engraçando com a filha de outro, ou algo assim. Não tive tempo de entender direito, alguém me puxou pelos ombros de volta para o corredor.

“Deixe os palhaços em paz, garoto. Eles não são tão divertidos depois que o show acaba.”

O homem estava usando calças brancas justas e jaqueta decorada com estrelas azuis. Eu sabia quem ele era. A sua performance tinha sido a que mais me impressionou, rodando com sua moto dentro de um gigantesco globo de aço. Eu ia pedi-lo para ver a motocicleta, mas ele já estava longe, desaparecendo atrás do trailer da mulher de barba.

Eu olhei na direção dos meus pais, vendo que eles ainda estavam falando coisas de adulto. Eu queria ficar perto, mas também queria conhecer tudo. E imaginando que eles não terminariam tão cedo, decidi explorar um pouco mais. Mesmo que a área atrás do circo não fosse tão mágica quanto o reino do lado de fora, ainda assim era cheia de cores, aromas e sons. Havia pessoas preparando comida em fogareiros de acampamento, tirando fantasias e maquiagem, assim como realizando tarefas que até então eu não associava com um circo, como lavando roupas, costurando, ou qualquer tipo de limpeza. Mas não estava desapontado de ter a ilusão tirada dos meus olhos. Ao contrário, aquela espiada no outro lado do espetáculo me intrigou. Aquelas pessoas não eram super-heróis, cheios de poderes e habilidades incríveis. Talvez aquela tenha sido a primeira vez em que imaginei como seria trabalhar em um lugar daqueles.

Eu estava observando os trapezistas se alongarem, o que já era impressionante por si só. Eles dobravam seus corpos como se fosse feito de borracha, incluindo a garotinha mais ou menos da minha idade. Eu não percebi que estava lentamente andando na direção deles quando eu senti alguém batendo no meu ombro direito. Quando virei para olhar, senti a batida no esquerdo. Esperando ver algum dos palhaços de melhor humor, fiquei chocado ao ver que as batidas tinham vindo de um tubo cinzento longo e enrugado, parte do maior animal que já tinha visto. Era a Sra. Varý Fortío, a elefante. Sua tromba dançava na minha frente, mexendo com meu cabelo enquanto eu permanecia parado, com medo.

“Ela gostou de você”, uma voz de menina disse. “Não precisa ficar com medo, ela é amigável mesmo com as pessoas de quem ela não gosta.”

Ela não estava vestida como uma artista, ou como uma artista que tinha acabado de tirar a fantasia. Ela usava jeans e uma blusa como qualquer outra garota da minha escola. Tinha cabelos loiros e longos, e um sorriso cheio de dentes um pouco grandes demais e separados. Suas mãos acariciavam a elefante como se fosse o seu cachorro, o que provavelmente era verdade. Então, de repente, ela me puxou pela mão para um canto, bem a tempo de não ser vista pelo mestre de cerimônias, ainda com toda a sua roupa. Ela fez sinal para que eu ficasse em silêncio.

“Estou me escondendo do meu pai”, ela cochichou assim que ele estava fora de alcance. “Ele não me deixa mais brincar com os animais, depois que o Lybb acidentalmente mordeu seu cuidador.”

“Libb?”, eu cochichei de volta.

“Nosso leão. Foi sem querer, sabe?” Ela olhou em volta, certificando-se de que estávamos à salvo das garras do seu pai. “Ei, quer brincar de esconde-esconde?”

“Achei que já estávamos fazendo isso”, respondi.

“Estamos nos escondendo do meu pai. Quis dizer esconder um do outro!” Foi a minha vez de olhar em volta pelos meus pais. “Eles ainda vai conversar um bocado”, ela disse, “acabei de passar por ali, não parece que vão terminar daqui a pouco. Vamos brincar, por favor!”

Seria fácil acreditar nela mesmo que eu não estivesse querendo um pouco de brincadeira também. Eu deixei-a se esconder primeiro, o que me deu a oportunidade perfeita para explorar um pouco mais. Podia ouvir a música e a festa do lado de fora, e não tinha me esquecido da promessa dos meus pais do melhor sorvete do mundo, mas também estava gostando de brincar. Eu a encontrei na minha primeira volta, mas deixei um pouco mais antes de chamá-la para ver tudo.

Eu dormi durante toda a comoção. O que eu pensei que fosse o lugar perfeito para me esconder rapidamente se tornou minha cama pelas próximas horas. Meu tio não iria se apresentar naquele circo novamente, então meus pais ofereceram-se para levá-lo ao aeroporto. Eles procuraram por mim o quanto foi possível, até que a mulher de barba disse a eles que me viu brincando com a Alicia, a filha do mestre de cerimônias. Papai levou tio Ben enquanto minha mãe continuou procurando. No final, foi a Sra. Varý Fortío que me encontrou, calmamente dormindo debaixo de uma lona em cima de um monte de feno. Meu reaparecimento foi saudado com animação por toda a trupe, mesmo os palhaços pararam de brigar para ajudar.

Quando chegou finalmente a hora de ir embora, Alicia veio me dizer que eu era o melhor escondedor que ela já tinha visto e que queria que pudéssemos brincar novamente. A mulher de barda e a Stella me beijaram na testa antes de eu entrar no carro. Eu ouvi papai brincando com a mamãe dizendo que aquela noite acabou sendo mais emocionante do que eles esperavam. Eles me levaram ao Foverós mais duas vezes antes do circo ir para outra cidade, e eu finalmente pude provar o melhor sorvete de todos. Já que eu não pude me despedir do tio Ben ou ouvir a sua história sobre como ele entrou para o circo, ele me deixou uma das pequenas facas que carregava no braço. Meus pais mantiveram-na cuidadosamente fora de alcance até que pudessem confiar que eu não iria me machucar.

Eu cresci lembrando daquela noite, e amando a ideia de viajar com o circo. Então, quando finalmente tive acesso à faca do meu tio, eu aprendi a atirá-la como ele, sonhando um dia entrar para o circo também. Acabei realizando o sonho no mesmo Foverós, que à época era gerenciado pela Alicia. Era um pouco tarde para brincarmos de esconde-esconde de novo, mas não para construirmos nossa própria família circense.

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