A Palavra

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“Cara, isto está muito bom!”, pensou Ryan quando tinha terminado. Mesmo que preto não fosse a sua cor preferida, que o chapéu esquentasse a sua cabeça, e nem precisa chegar na meia-calça, a pessoa no espelho não era ele. Era sua irmã emo-gótica-sei-lá-o-quê, do esmalte carmesim escuro até a complexão pálida enriquecida com batom escuro e sombra nos olhos. Quando ele começou a brincar com o armário de Emma, ele esperava que fosse ficar parecido, mas tinha atingido a perfeição total.

Ser o irmão mais menor finalmente serviu para alguma coisa. Ryan era só um ano mais novo e tinha o mesmo rosto de Emma, e também a altura e o tipo de corpo, ele ainda antes da adolescência, e ela mantendo seu corpo de menina-moleque que em breve daria lugar a uma bela jovem mulher. Eles poderiam usar as mesmas roupas se um gostasse do que o outro usava. Mas não os sapatos, pelo jeito. Os dedos de Ryan estavam apertados dentro das botas estranhas de canela alta. Mas estava muito bom. Tão bom que ele provavelmente poderia se passar por ela mesmo com seus pais. E se?…

Ele não tinha permissão para entrar no quarto dela, claro. Mas Emma estava no hospital recuperando-se de uma apendicite súbita e não podia fazer muita coisa sobre aquilo. Ela estava fora de perigo, já livre do órgão problemático e dispensável, mas ficaria no hospital ainda mais duas noites. Aparentemente, além do apêndice, havia algo mais com as suas vesículas que os médicos precisariam checar. Ryan desfilou para si mesmo em frente ao espelho tentando acertar os maneirismos da irmã, o que ele conseguiu em umas poucas tentativas. Sua voz não seria um problema, ele estava acostumado a imitá-la com perfeição desde que tinha dez. O que era inicialmente só uma tentativa de preparar-se para o Halloween que se aproximava acabou transformando-se em uma excelente ideia.

Andar naquelas botas era de longe a coisa mais estranha que Ryan já tinha feito. Ele estava usando maquiagem no rosto todo e meias arrastão naquele momento, mas as botas ainda ficavam com o primeiro lugar. Era também realmente quente embaixo daquelas roupas pretas e grossas. As mangas de tatuagem falsa que a sua irmã gostava tanto não eram nada além de uma chateação, espremendo seus braços como se alguém estivesse constantemente lhe empurrando. Ele pegou o ônibus para a escola e recebeu os mesmos olhares cruzados que Emma sempre recebia. Ele prestou atenção para ver se alguém percebia que ela ele ao invés dela, mas os estranhos usuais não seriam um teste de verdade. As quatro pessoas no final do corredor seriam. Os amigos de Emma, o grupo com quem ela passava a maior parte das horas no seu dia, dentro e fora da escola.

“Ei, Em! Finalmente se livrou da sua sombra perturbadora!”

Sombra perturbadora. Ryan tinha ouvido Emma dizer a mesma coisa antes. Ele não tinha se preparado para aquilo. Ele tinha a aparência e a voz, mas teria que acertar o dialeto também. Era uma ideia estúpida. Assim que ele abrisse a boca eles descobririam e ele seria lembrado para sempre como o garoto que se vestiu como a sua irmã. Mas agora era tarde demais para desistir.

“É, ele teve apendicite e pedra na vesícula, vai ficar no hospital uns dias.” É isso, ele pensou, minha vida social acabou antes mesmo de começar. Mas a resposta veio como se tudo estivesse normal.

“Uau, ele tirou a ‘sorte grande’! Uma pena que não seja nada com risco à vida, certo?”

“Ei, não fale assim. Ele pode ser uma sombra perturbadora, mas ainda é o meu irmão.”

“Tudo bem, desculpa Em. Não precisa ficar assim. Vamos, não queremos nos atrasar para a aula da Sra. Keenan.”

Hum. Quem diria? Funcionou. Ele abriu o armário da Emma – ele tinha encontrado o diário dela mais cedo naquele ano e copiado o código, só por diversão – e trocou a mochila por um dos livros que estavam ali.

“Não, Em, Geometria. Caramba, e a gente pensando que você não se importaria em ficar livre do seu irmãozinho por uns dias.”

Conforme o dia avançava, Ryan ficava mais e mais confiante, ao ponto de ficar quase arrogante, experimentando todas as expressões típicas do grupo de amigos da irmã. Um dos professores ficou um pouco desconfiado pelo fato de Emma não levantar a mão para responder tão rápido quanto aparentemente ela costumava fazer. Emma era uma boa aluna, quem diria? De qualquer forma, ele evitou os próprios amigos, por precaução. Era divertido estar na pele da irmã, ouvir todos os segredos que a sua galera compartilhava. Os segredos em si não tinham nada de mais, na verdade eram até bastante banais. Mas ser capaz de fazer tudo aquilo era emocionante.

Depois das aulas, eles estavam todos novamente conversando perto dos armários, preparando as mochilas para partir. Um dos amigos de Emma estava retocando a maquiagem quando perguntou, “Então, tudo certo para mais tarde?”

“Claro”, disseram os outros, “estamos prontos para finalmente terminar isso, certo, Emma?”

“O quê? Ah, claro, certo, vamos terminar isso.” Isso o quê? Toda a confiança recém, adquirida desapareceu e ele teve que se esforçar para manter a mente alerta.

“Esquece o seu irmão estúpido, Em, ele está fora de perigo, não está? Nos vemos mais tarde no lugar de sempre.” Onde? Ele deveria ter lido mais do diário da irmã para se preparar para o papel. Eles estavam todos caminhando para a saída, ele precisava pensar rápido.

“Ei, Jordan, posso passar na sua casa para irmos juntos?” Jordan era o único dos amigos da Emma que Ryan sabia onde morava, então era também sua única chance de não estragar tudo.

“Sim, tanto faz. Só não se atrase, vou sair às sete.”

Sete. Tipo, começo da noite sete, quando já está escuro lá fora? Talvez ele devesse dar alguma desculpa, como precisar ir ao hospital visitar o irmão ou algo assim. Mas pelo jeito como eles estavam falando, não parecia que era algo que pudesse ser adiado. E, apesar do medo, Ryan também estava louco para saber o que Emma e seus amigos faziam todos os dias. Cara, no que ele estava se metendo?

Eles fizeram o caminho praticamente em silêncio. Ryan fez algumas perguntas para tentar tirar alguma informação de Jordan, mas depois de alguns olhares estranhos ele se resignou a simplesmente deixar as coisas acontecerem. Eles já tinham passado da sua “área de atividade” usual, os lugares onde seus amigos costumavam se encontrar, quando finalmente viraram o que parecia ser a última curva. Havia algo estranhamente familiar com a rota, mas ele não conseguiu adivinhar até ver as lápides se aproximando. Ele tinha caminhado por ali antes, com Emma, quando eles estavam fazendo um atalho para algum outro lugar. Era em pleno dia, mas ele já estava assustado. Emma parecia não se importar.

“Ah, qual é, não seja tão infantil. É como um parque, só que mais quieto.”

“É mais quieto porque é um parque cheio de gente morta embaixo da terra.”

“Como você sabe se os outros parques não têm gente morta enterrada? Este aqui só faz você ter certeza colocando marcadores.”

“Sim, mas me deixa desconfortável.”

“E o que você acha que pode acontecer? Um ataque de zumbis? É por isso que a mamãe não deixa mais você assistir aqueles filmes, você acredita em tudo.”

Bem, era ainda mais assustador durante a noite, sem um único poste de luz mostrando o caminho. Eles caminharam até que a luz vindo da rua não pudesse mais ser vista. Os outros três já estavam lá, esvaziando suas mochilas no chão. Giz, velas, fósforos, um cálice esquisito, e um monte de roupas pretas que ele não conseguia identificar.

“Finalmente! Por que vocês demoraram tanto? Está tudo praticamente pronto. Em, está com você?” O quê? O quê ela deveria ter trazido? Havia tantos pequenos detalhes necessários para imitar alguém, mesmo sendo a própria irmã. Ryan podia sentir o suor acumulando sob a maquiagem. Ele fez o possível para manter-se na personagem e parecer que sabia o que estava acontecendo. Antes que pudesse pensar numa desculpa, Jordan falou.

“Ela trouxe, nós pegamos semana passada.”

“Então o velho daquela loja não estava mentindo?”

Ele baixou a mochila da irmã e estava pronto para vasculhá-la em busca da coisa dizendo que tinha esquecido em casa, o que quer que fosse. Mas tinha um livro ali, que não estava lá antes. E ele deveria ter percebido. Era um livro grande, uma daquelas edições de capa dura nas quais os editores realmente querem impressionar os leitores. A capa era em couro preto falso de alta qualidade com letras gravadas em vermelho-dourado, e tinha protetores de metal nas pontas. Era pesado, como Ryan não percebeu que estava na mochila? E, aparentemente, era algo bastante importante. Ao ver o livro, toda a galera de aproximou como se estivessem sendo apresentados a um recém-nascido, olhando com o máximo de respeito.

Ryan não conseguia ler a capa. Não estava escrita em um alfabeto que ele não conhecia, ele nem sequer reconhecia os caracteres. Ele fez menção de abri-lo, ver como era por dentro, mas uma mão colocou-se firmemente sobre a capa para impedi-lo.

“Ainda não. Vamos nos arrumar.”

Então eles se arrumaram, o que consistia em desenhar um grande círculo no chão com o giz, e uma estrela de cinco pontas dentro. Então, eles colocaram as velas em cada uma das pontas da estrela, o cálice bem no meio, e começaram a vestir as roupas pretas que no fim das contas eram mantos com capuz. O tempo todo, Ryan segurava o estranho livro, incerto do que fazer.

“Está esperando o quê, Em? Ele deixou o livro cuidadosamente sobre a mochila e vestiu o último manto. Jordan acendeu as velas e Stacy pediu a Ryan para passar-lhe o livro. Na verdade, ela disse “a palavra”, e olhou firmemente para o livro.

“Agora, o cetro”, ela disse quando o livro estava equilibrado em uma das suas mãos. Ryan não deve ter conseguido esconder sua confusão desta vez, todos se viraram para ele com olhares furiosos.

“Não me diga que você não trouxe!”

“Droga, Em, coloque a cabeça no lugar! Esqueça seu irmão estúpido, isto é mais importante, você sabe!” Sabia? Tudo ali parecia sinistro demais. Ele pensou que a galera da Emma ficava só ouvindo músicas bizarras e perturbando pessoas nas ruas, mas aquilo tinha todos os elementos de um ritual do qual Ryan não tinha tanta vontade de participar. Felizmente, ele agora tinha a desculpa perfeita para escapar.

“Desculpem. Parece que eu me importo com o meu irmão mais do que eu acreditava. Vou rapidinho em casa pegar o cetro e volto logo.”

Sair do cemitério trouxe uma sensação de alívio que Ryan nunca tinha sentido antes, mesmo que estivesse correndo tão rápido quanto podia e esquecido de tirar o manto. A casa vazia, que normalmente não era um problema, agora parecia tão ameaçadora quanto o lugar de onde ele tinha acabado de fugir. Ele pensou em ligar para os pais com a desculpa de saber como estava a Emma, só para ouvir suas vozes e, talvez, se acalmar, mas eles ficariam desconfiados. Ele estava sentado na cama da Emma, revendo a estranha noite na cabeça, imaginando se deveria ligar para um dos amigos da irmã com uma desculpa para não voltar, mas não parecia ser uma opção. Estava ainda mais quente debaixo de todas aquelas roupas grossas e maquiagem, e o manto que ele não deveria mais estar usando. Eles estariam esperando por Ryan a qualquer momento agora, com o que quer que ainda faltasse para o ritual. Ele já tinha olhado em todos os armários e gavetas da irmã.

Embaixo da cama, claro. Ele não tinha olhado embaixo da cama! No meio de algumas caixas e um monte de meias, estava a tal coisa. Uma peça rígida de mais ou menos cinquenta centímetros, adornada para parecer feita de madeira, mas pelo peso era claramente de metal. Tinha ornamentos imitando duas cobras enroladas desde a parte de baixo, terminando em um anel de espinhos, e sobre ele dois círculos concêntricos e uma curva parecendo um olho com uma linha reta no meio. Também tinha algumas marcações, parecendo os mesmos estranhos grifos do livro.

Foi naquele momento que Ryan começou a ficar preocupado com a irmã. Não por ela estar no hospital, ele sabia que era só um protocolo depois de duas cirurgias consecutivas, ainda que pequenas. Mas em que tipo de seita ela tinha entrado? E aqueles amigos dela, não eram só pessoas esquisitas usando maquiagem. Eles faziam coisas sérias, coisas com as quais os pais ficariam preocupados. Ela não era assim. Antes de virar aquele incômodo vestido de preto, eles eram bastante próximos, Emma e Ryan. O que aconteceu? Provavelmente influência das pessoas erradas.

Algumas batidas firmes na porta lá embaixo trouxeram Ryan de volta à realidade. Ele desceu ainda completamente vestido, manto e tudo, e com o cetro, perturbado pelas imagens da noite ainda na sua cabeça.

“Onde você estava? ‘Volto logo’ significa não parar para se preocupar com a vida ou com irmãos doentes, sabe?” Stacy pegou o cetro e os quatro se viraram para voltar para o cemitério. Ryan permaneceu imóvel.

“O que foi agora?”, disse Jordan.

“Talvez ela não devesse ir conosco”, disse Stacy. Ryan gostou bastante da ideia.

Jordan olhou para ele. “Em, o que está acontecendo? Foi sua ideia, isto tudo, você nos ensinou o que fazer, onde estar, o que trazer. Você disse que hoje à noite era o momento perfeito, o único momento. E precisamos de cinco pessoas. Esqueça o Ryan, ele está bem.” Ryan não se moveu.

“Em, eu entendo que você esteja abalada, de verdade. Mas não teremos outra chance de fazer isso. Eu posso ver que a sua cabeça não está tão aqui quanto deveria. Desculpe, mas acabo de decidir que vamos deixar você para trás. E você sabe que não seremos os mesmos amanhã, então não espere fazer mais parte do grupo depois de hoje.”

Foi ideia dela? Então ela era a líder daquele grupo desafortunado? E agora, graças ao Ryan, tudo estava perdido. Emma voltaria para casa e descobriria que tinha sido expulsa do grupo que aparentemente ela mesma formou, deixada de lado quando fazer parte de algo parecia ser tão importante – ao menos é o que todos os adultos diziam. Ótimo, Ryan. Saber os segredos da sua irmã era tão importante que você precisava bagunçar toda a vida dela?

Ryan pensou que estar em casa naquela noite pavorosa faria as coisas ficarem melhores, mas tudo em que ele conseguia pensar era nos problemas que tinha causado. E em nome da irmã. Nem mesmo tirar a maquiagem e as roupas, voltar finalmente a ser ele mesmo, lhe deu um pouco de consolo. Ele rolou na cama a noite toda pensando em como uma ideia inocente de fantasia de Halloween se transformou em um emaranhado que ele não conseguia desfazer.

Emma receberia alta na manhã seguinte. Ele já estava a caminho da escola quando mudou de ideia e foi para o hospital. Nenhuma explicação poderia impedir sua irmã de ficar furiosa com ele mas, talvez, estar lá de alguma forma amoleceria seu coração. Ele ouviu risos enquanto se aproximava do quarto, o que era um bom sinal. Quando entrou, toda a gangue estava lá, e Emma já estava de volta à sua persona emo-gótica-sei-lá-o-quê.

“Olha só, se não é meu desagradável irmãozinho metido a esperto!”

Seus pais não estavam por perto, eles estavam todos rindo, e Stacy tinha o estranho livro com ela. Ryan não conseguiria parecer mais confuso mesmo se tentasse.

“Então você pensou que eu era só uma fedelha vestindo roupas esquisitas, ahh?” Ryan não respondeu. “Você realmente achou que eu estaria no hospital e não avisaria meus amigos?” Todos riram alto. Jordan colocou um dos mantos no Ryan e Stacy lhe entregou o livro.

“Vai lá, sabichão, pode abrir o livro agora”, ela disse. Ryan olhou para o volume pesado nas suas mãos e, sem saber o que mais fazer, o abriu. Estava cheio dos mesmos caracteres que tinha na capa, mas a cada punhado de páginas havia uma ilustração, mostrando imagens aparentemente inocentes e infantis. Ele até reconheceu algumas: dragões, elefantes e deidades das culturas orientais. Ele ainda estava completamente rígido, virando as páginas com reverência, como se temesse perturbar um poder antigo.

“Relaxe, Ryan, é só um livro de contos infantis tailandês.”

“O quê?”, ele disse finalmente. “E o que era aquilo tudo no cemitério, as velas e”, ele tirou o manto como se fosse amaldiçoado, “essas coisas!”

“Não é legal fuçar nas coisas dos outros, sabia?”, respondeu a irmã. “Jordan te viu saindo de casa vestido como eu ontem, e nós decidimos te ensinar uma lição.”

“Então vocês não fazem essas coisas?”

“Que coisas?”

“Os rituais!”

Todos riram alto de novo. “É isso que você pensa de nós?”, disse Stacy, “Da sua irmã mais velha?”

“Apesar do que você pensa do nosso estilo de vestir”, Emma continuou, “somos adolescentes bastante normais. Gostamos da nossa música e dos nossos filmes e das nossas piadas internas, mas é praticamente isso.”

“Ela pode não parecer”, Jordan disse, “mas sua irmã é na verdade uma baita nerd. Ela é a melhor aluna da nossa sala. Quando não está com a gente, provavelmente está numa biblioteca.”

“Que foi onde eu encontrei o livro que você está segurando”, ela riu. Ryan evoluiu de amedrontado para confuso para envergonhado, enquanto eles explicavam como pregaram uma peça nele usando o preconceito que todos costumam mostrar para pessoas que se vestem como eles, mesmo irmãos mais novos.

“E o cetro?”, ele perguntou depois de engolir o que tinha sobrado do seu orgulho.

“Só um projeto de artesanato que Jordan fez um tempo atrás. Ele escondeu no meu quarto ontem entre as aulas.”

Seus pais voltaram da assinatura dos papéis de alta, Ryan incapaz de dizer qualquer coisa. Quando estavam virando para estacionar em casa, a mãe deles virou-se para trás e disse, “Eu sei que ainda é um pouco cedo, mas vocês já pensaram no que vão querer vestir para o Halloween?”

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